Essa semana ficamos aterrorizados
com a notícia de um estupro coletivo de uma menina de apenas 16 anos de idade.
Contudo, não foi somente uma garota vulnerável que foi violada em sua
dignidade, mas toda a coletividade de mulheres brasileiras. Todas nós, em algum
momento desta semana, nos colocamos no lugar desta pequena garota, pois sabemos
muito bem as dores e as alegrias de ser mulher.
A sociedade masculina brasileira
precisa entender que não somos produtos efêmeros de seus sentimentos
hedonistas. Não somos objetos dos quais vocês tiram proveitos de qualquer
natureza. Temos sentimentos, possuímos o sonho de constituir uma família e
sermos amadas de fato e de verdade. Temos o direito de sermos tratadas com
dignidade, respeito, proteção, segurança, amor e honra, independente da nossa
condição intelectual, social, financeira, idade, condição física e quantidade
de parceiros ou filhos.
Ainda que muitos neguem os
fatos acima mencionados, isso não faz com que o machismo, o preconceito, a
discriminação e o abuso deixem de existir. Quantas vezes você pensou nos
requisitos acima para se relacionar com uma mulher? Quantos vezes você usou
uma mulher para satisfazer seus desejos sexuais não almejando nenhum relacionamento
sério com ela?
Quantos vezes você pensou que
depois de certa idade a mulher perdeu a validade? Quantas vezes você usou e dispensou
uma mulher por sua aparência física ou pela quantidade de filhos ou
ex-namorados que ela teve? Ou, quanta vezes você a usou e não quis nada com ela porque
simplesmente ela não tinha a quantidade de dinheiro, cargo ou emprego que você
gostaria? Ou, mesmo porque ela não tinha o grau de instrução desejável para
você?
Onde está o preconceito de gênero
mesmo? Só com os que violam a lei? Nos atos externos? Na conduta manifesta, somente? A consciência não
conta? Os requisitos machistas, hedonistas e interesseiros para se relacionar
com uma mulher não é preconceito e nem discriminação?
Na verdade, por quais razões
você se relaciona ou se relacionaria com uma mulher?
Pela beleza, boa condição
financeira, ínfima idade, bom emprego, grau de pureza sexual, quantidades
ínfimas de ex-namorados/ficantes e filhos?
Então, somente esse tipo de mulher merece casar, ser amada, tratada com
dignidade, respeito, honra, proteção e cuidado? Somente essas mulheres devem ter
assegurados seus direitos fundamentais e afetivos?
Então, somente uma mulher que se
comporta conforme um padrão idôneo deve ser protegida em sua dignidade humana?
Somos humanas, temos alma,
sentimentos, sonhos. Somos mais vulneráveis física e emocionalmente, por natureza
e não por escolha. E por isso, temos, ainda mais, o direito de sermos
protegidas e defendidas independente de nossa condição social, financeira,
intelectual, física, sexual, idade, escolha de vida e liberdade sexual.
Temos o direito ao tratamento
digno, igualitário, respeito e afeto independente de quaisquer circunstâncias,
especialmente quando somos violadas no mais íntimo de nossas almas. Não existem justificativas plausíveis para se
permitir o abuso, proveito sexual, a defraudação emocional e o dilaceramento da
alma e da dignidade de uma mulher. Somos humanas e temos o direito de sermos
tratadas com Dignidade. Não é pedir muito exigir o que nos é inerente!
Todo abuso e a colocação da vítima em situação
de risco e/ou vulnerabilidade tem um fundo emocional e de ausência afetiva,
seja dos pais, seja de um homem de verdade, seja do descaso da sociedade, por isso, não julgue sem conhecer
os fatores internos da vítima, olhar somente os fatores externos não é o suficiente
e nem justo, é preciso adentrar à alma da vítima e se colocar no lugar dela
para, realmente, sentir o que ela sente e daí realizar um juízo reto. Agora, me
diga se não existe uma cultura de abuso e exploração, ainda que subliminar, da
mulher? Só compreende o que sente e passa uma mulher, quem vive na pele de uma.
Considerações de uma ardente
defensora da dignidade humana das mulheres, que já passou as dores e alegrias
de ser uma mulher, que já experienciou contextos de abusos infantil e violência
contra a mulher.
Portanto, amemos de fato e de verdade e não acusemos!
Srta Pry
"... O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.O amor nunca falha (1 Coríntios 13:4-8)
"18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade" (1 João 3: 18)
"...Vós maridos vivei com vossas esposas a vida cotidiana do lar, com sabedoria, proporcionando honra à mulher como parte mais frágil..." ( 1 Pedro 3: 7)
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